domingo, setembro 04, 2016

Dir-me-ão: "mas, de vez em quando, a porta do lado do condutor do teu Fiat Uno não abre"

E eu respondo: "tal como não abriam as portas do carro dos "Três Duques" e, além disso, como não tem um monte de coisas inúteis entre os dois bancos da frente, o condutor pode perfeitamente sair pela porta do lado do pendura".

quarta-feira, maio 04, 2016

quinta-feira, outubro 08, 2015

"A"

A Rita fez 2 anos, cheios de personalidade. No mesmo dia, a Ana Leonor quis escrever e escreveu a letra "A". E, logo a seguir, escreveu outra vez a letra "A".

domingo, outubro 04, 2015

Contemplação

A Ana Leonor e a Maria Rita são obras de arte. Com frequência fico parado (como se tivesse sido atingido por um raio) a contemplá-las, a inundar os meus sentidos com elas.

domingo, março 01, 2015

Nos romances

tudo é diferente. O registo altera o registado. Também porque muda a relação do que é registado com o seu contexto.

domingo, fevereiro 01, 2015

O cão

Passear. De manhã cedo. De pijama. Nos pés pantufas (se estiver sol) ou botas (se estiver a chover). Se a opção for por botas, o pijama entra nelas.

segunda-feira, agosto 11, 2014

domingo, agosto 18, 2013

Ferida

Uma ferida serve, pelo menos, para duas coisas:
(1) como ponto de partida para a reconstrução de memórias;
(2) como testemunha da extraordinária capacidade de regeneração do corpo (extraordinária mas limitada).

sábado, agosto 10, 2013

Dia 7: Carrapateira - Budens

Fica: (1) a "Villa"; (2) o Algarve imobiliário; (3) o amor entre Sagres e São Vicente, a lembrar Pedro e Inês; (4) o Rei Nicolau; (5) o bluff e o não-bluff; (6) o golfe e o BTT, esquemas de entretenimento para, se possível, nos entretermos; (7) projectos, competição, dinheiro, azeite; (8) afogueado; (9) a vontade de estar; o esforço para estar; estar;

Dia 6: Aljezur - Carrapateira

Fica: (1) o pôr-do-sol na praia do Amado (acho que gostamos do pôr-do-sol por ser uma espécie de adeus provisório; e um verdadeiro adeus provisório, um "até já" efectivo, com evidências de reencontro, é coerente com o ritmo para o qual estamos preparados, o ritmo humano; a seguir a uma batida de coração vem outra; a seguir a uma inspiração vem uma expiração; e depois outra inspiração; é confortável e aconchegante; para adeus definitivos, com evidências de fim, estamos muito menos equipados); (2) um jornal, com os seus desafios, títulos arrojados e ironia; (3) um europeu perdido nas dunas;

Dia 5: Odeceixe - Aljezur

Fica: (1) um hostal italo-alemão; (2) a Primavera da Rachel Carson; (3) um Aljezur global, gente que sai.

Dia 4: Odemira - Odeceixe

Fica(m): (1) a praia da Odeceixe (e a vila); (2) fotografias do que poderiam ser imagens esquecidas; (3) muitas outras imagens não fotografadas mas que ficam penduradas na minha memória, soltando-se lentamente até caírem; (4) as pessoas; (5) as pessoas situadas em ambiente de praia; (6) os amigos que me ajudam a subir e descer escadas e a carregar as minhas coisas.

terça-feira, agosto 06, 2013

Dia 3: Cercal do Alentejo - Odemira.

Ficam, agora de forma perfeitamente clara, "as descidas demasiado rápidas em pisos traiçoeiros". Deveria ter lido e relido o meu post do dia 2 para não me esquecer. Digamos que o resto dos dias serão marcados por uma significativa "economia de movimentos".
Não deixa de ficar, no entanto, a beleza do passeio e a liberdade do BTT.

segunda-feira, agosto 05, 2013

Dia 2: Santiago do Cacém - Cercal do Alentejo

Fica(m): (1) a praça de Cercal do Alentejo; (2) as subidas íngremes e curtas; (3) as subidas longas; (4) as descidas demasiado rápidas em pisos traiçoeiros; (5) 3 ou 4 pequenas quedas por causa da areia e dos pedais de encaixe; (6) a importância dos referidos pedais; (7) cafés perdidos em aldeias perdidas; (8) a cadela "maluca"; (9) um percurso bem assinalado; (10) choques nas vedações electrificadas; (11) conversa e água fria na Praia do Malhão;

domingo, agosto 04, 2013

Dia 1: Viseu - Santiago do Cacém

Fica: (1) um poeta com escrúpulos e ligações a um Rover parado; (2) elásticos; (3) bicicletas penduradas e encaixadas; (3) uma conversa preventiva com a autoridade; (4) o pôr-do-sol a partir deste Santiago, a lembrar o outro; (5) o grupo; (6) a igreja matriz, início da Rota Vicentina; (7) os rostos de crianças que fui vendo ao longo da viagem e que, agora, me remetem sempre para a Ana Leonor.

sexta-feira, julho 27, 2012

segunda-feira, agosto 01, 2011

no Gerês

Nem sei bem se este sítio é natural ou alguém, malandro, o construíu.
Hoje dei uma vista de olhos aos meus e-mails. Tive uma leve sensação "arqueológica".

domingo, junho 26, 2011

Para o Tomás, que vai crescendo crescendo

O meu primo e amigo Tomás acabou o 1º ciclo. Muitos parabéns, antes de mais. O mais difícil (e mais importante, diga-se) está feito. E, no caso do Tomás, está muito bem feito. Não só pela escola mas pela intensidade e a descoberta que têm caracterizado estes anos para ele. Gosto muito do Tomás. Gosto de crianças com que se aprende. Eu sei que se aprende com todas mas com o Tomás tive sempre a sensação de que ele me tinha muito a ensinar de cada vez que estávamos juntos, em Viseu, em Lisboa ou em Braga (sim, porque além de outras coisas, o Tomás é também um viajante).


Tomás, muitos parabéns pelo fim do 1º ciclo mas acima de tudo muita força para os próximos. O mais difícil está feito. Agora é só uma questão de manteres a curiosidade e a paixão. Pelo desenho, pelo desporto, pelas palavras, pelas pessoas e por muitas outras coisas. E de manter a tua particular e desarmante capacidade para reflectires sobre ti próprio e o teu contexto.

Deixa-me ser um apóstrofe

na tua nota de rodapé.

quarta-feira, junho 15, 2011

The Optimism Bias

The Optimism Bias - o nosso cérebro é uma máquina extraordinária de construção de Cenários.


sou um optimista hehe


nunca me vi muito como tal mas as evidências abundam :)

sexta-feira, abril 01, 2011

Há uma impossibilidade neste tempo

Os partidos políticos, mais ou menos articulados, apresentam-nos narrativas (histórias) para a Sociedade, para a Economia, mas também para o mais pequeno pormenor técnico-regulamentar. Estas narrativas são mais ou menos treinadas, "eficientes", repetidas, repetidas, repetidas.

São muitas vezes coerentes para quem as ouve. Com as repetições, repetições, repetições as "impurezas" destas narrativas vão desaparecendo, tornando-as ainda "melhores". E todas apelam a uma escolha, a uma escolha diferente, claro.

E muitas pessoas querem saber, informam-se, arriscam escolhas. Mas, lá no fundo, sabem que estas escolhas são sempre "primárias", "orgânicas" (é o nosso corpo que decide antes?), ideológicas (seja). A informação é sempre incompleta e a acção potencial também.

E depois colocamos um voto na urna. Por isto ou por aquilo, criando uma narrativa própria ou adaptando (consciente ou inconscientemente) uma outra.

Muito provavelmente as narrativas políticas que nos apresentam têm, todas elas pontos mais fortes e pontos mais fracos. Para complicar tudo a "qualidade" destas narrativas também vai depender da evolução do contexto ("o que não determinamos"), hoje imprevisível (mas possivelmente antecipável).

Podemos, eu sei, ter a nossa própria narrativa sobre a Sociedade ou a Economia. Podemos pensar nela (uma meta-consciência), torná-la mais resiliente, sabendo que é sempre frágil e perene e curta e indefinida.

Eu sugiro três caminhos possíveis e articuláveis para a procura da nossa narrativa individual:

1) Procurá-la da mesma forma que uma imagem surge no seu negativo. Isto é, procurar a nossa narrativa procurando incessantemente o que dela não faz parte, conhecendo ao pormenor o que negamos.

2) Usar mediadores que, ao longo do tempo, acompanhados por nós de perto, nos mostram a sua dedicação, curiosidade e clareza de análise (a minha mãe, por exemplo, escolheu o José Gomes Ferreira e o António Barreto, entre outros).

3) Usar o futuro para decidir hoje mas não para deixar de estar aqui, neste momento, sentado a escrever um texto num blog, rodeado de notas sobre as muitas coisas que tenho a fazer e a ouvir o Presidente da República, na televisão, a comunicar que aceitava a demissão do Governo e que vamos ter eleições no início de Junho. O potencial de existir (e de decidir) "estando" é muito grande. Este "estar" sintetiza, em tempo real e/ou numa decisão, o passado longo e o futuro longo. Nesse gesto tudo se decide e, a seguir, desse gesto como decisão já não resta nada, "apenas" a sua interacção com o seu contexto e a sua interacção com a nossa narrativa em construção.

Esta interacção entre "gesto" e "narrativa em construção" é o ponto onde estou.